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Especialista detalha passo a passo de testes para doenças neuro-oftálmicas

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Testes de reflexo, ofuscamento e avaliação visual são algumas das etapas para alcançar o diagnóstico

Cláudia Guimarães, da redação
claudia@ciasullieditores.com.br


Existe uma especialidade médica designada para tratar de enfermidades que acometem os olhos e os cérebros de animais e humanos: a neuroftalmologia, como comentado em palestra ministrada pela médica-veterinária especialista em oftalmologia, Elaine Souza Mello, no 14º Conpavepa. As doenças neurológicas que acometem a visão devem ser rapidamente diagnosticadas e submetidas a acompanhamento e tratamento médico, já que, muitas vezes, resultam na perda da capacidade visual.


Na palestra “Dicas valiosas sobre neuroftalmologia”, Elaine aborda os tipos de testes de reflexos pupilares à luz que podem ser realizados durante uma consulta de rotina na clínica. Existe o reflexo pupilar direto positivo para observar quando a pupila do animal encontra-se em diâmetro médio e, a partir do momento em que o olho direito é iluminado, ele próprio responde contraindo a pupila. “Essa contração ocorre graças a músculos presentes na íris, ao redor da pupila, chamados músculos esfíncter pupilar, controlados pelo sistema parassimpático”, esclarece. Também existe o reflexo pupilar consensual positivo, onde as fibras nervosas provenientes de um olho passam para o hemisfério contralateral do cérebro e, dessa forma, são capazes de contrair a pupila do olho contralateral.


O material necessário para o estímulo de contrações pupilares se baseia em um foco de luz convergente. “As lanternas clínicas, no geral, possuem foco de luz divergente, ou seja, a luz sai da lanterna e se dissipa, iluminando toda a cabeça do animal. Para realizar um reflexo de luz adequado, precisamos de um foco de luz convergente, onde toda iluminação que saiu do foco tem que convergir para um único lugar”, expõe e cita a penlight ou transiluminador de finoff. “O equipamento deve ser correto porque o profissional pode confundir uma falta de resposta com o uso de um equipamento inadequado”, alerta.


O ofuscamento é um segundo teste e é inconsciente, cujo mesmo os animais estressados respondem ao teste, que consiste em avaliar o fechamento parcial ou completo da pálpebra do olho que foi iluminado. “Em cães, geralmente, há fechamento dos dois olhos. É como se estivéssemos no escuro, já que os reflexos são efetuados em sala escura, e de repente, acendêssemos uma lanterna muito forte. Isso nos faz ofuscar, é inconsciente”, expõe Elaine.


O terceiro teste é a avaliação visual. A visão é a percepção das imagens, de acordo com a profissional, e essa percepção está relacionada ao movimento. “Os animais se atentam aos movimentos, e a visão está relacionada ao contraste dos objetos, ou seja, diferença de cores associadas ao movimento e, por último, as cores”, pondera. Ela conta que a visão será avaliada na clínica, basicamente com três testes.


O primeiro deles é o teste de obstáculo, que, quando realizado no claro, se chama teste de obstáculo fotópico e, quando feito no escuro é chamado de escotópico. “A diferença entre eles é que no claro vamos avaliar a função dos cones, que são células da retina responsáveis pela visão no claro, com muita luz e de cores. Já o teste de obstáculo no escuro ou com pouca luz vai avaliar os bastonetes, que também são células da retina responsáveis por enxergar com pouca luz, contraste e movimentos. Os animais possuem grande quantidade de bastonetes e uma pequena quantidade de cones na retina”, expõe.


O segundo é o teste de ameaça, feito com movimento de mão do lado da cabeça do animal. “Esse movimento deve ser delicado, não deve fazer corrente de vento, uma vez que as vibrissas, quando sentem uma corrente de vento, estimulam o piscar do animal”. Esse teste, como explicado pela especialista, é indicado para animais adultos, já que filhotes antes de quatro meses ainda não sabem o que é uma ameaça, então podem se manter sem resposta mesmo na presença de visão. “Para gatos, este também pode ser um teste não efetivo, uma vez que os felinos possuem um reflexo de piscar muito discreto neste teste. Para eles, o ideal seria o teste de movimento”, declara a profissional que já explica qual o procedimento do teste citado: “O de movimento é mais utilizado em animais curiosos, ou seja, filhotes, que não identificam uma ameaça, mas são curiosos, e gatos. “Ele pode ser realizado com uma bola de algodão caindo de uma altura em que o animal perceba ou, então, no caso de gatos, com uma penlight”.


Funções, diagnóstico e a Síndrome de Horner. A percepção de cores em cães é uma questão curiosa para os tutores, que, segundo a médica-veterinária, estão sempre questionando se eles enxergam cores ou em preto e branco. Elaine revela que os cães enxergam cores. “As células responsáveis são os cones e, no caso dos cães, eles possuem dois tipos, um que enxerga o comprimento de onda azul e outro que enxerga o comprimento de onda que varia entre o amarelo e o verde. Então, esses animais são dicromatas: possuem dois tipos de cones e não enxergam o vermelho, característica de animais tricromatas, como os humanos”, revela.


Já os movimentos e contrastes são percebidos pelos bastonetes, células que funcionam com pouca luz e está relacionada à visão escotópica, de acordo com a profissional. “Os bastonetes estão dispersos na retina e estão em maior número nos animais, além de serem as primeiras células a morrer numa atrofia progressiva de retina”.


Após a realização dos testes, o médico-veterinário, quando chegar à fase de respostas, deve saber diferenciar o que é uma resposta cortical de uma subcortical, como explanado pela palestrante. “O cérebro tem sua periferia (o córtex), chamado de área cortical. Tudo o que está abaixo do córtex é chamado de subcortical. A visão provem da retina, que percebe a imagem, manda a informação pelo nervo ótico, passa por todo o trajeto na área subcortical e vem ser interpretada na área de córtex visual. Então, a visão é uma função cortical”.


A profissional também comenta sobre a Síndrome de Horner (SH) durante a apresentação no evento. Segundo ela, a condição apresenta frequência baixa de atendimento, sendo registrados entre 15 e 20 casos por ano nas clínicas. “A síndrome se manifesta com sintomas oculares, mas está relacionada a um problema neurológico e, portanto, não há tratamento oftálmico”.


Ela explica que se trata de uma perda da inervação simpática e pode estar relacionada a uma lesão em qualquer parte do trajeto simpático, que vai desde o hipotálamo, região central do encéfalo, caminha pela medula, até os seguimentos T1, T2 e T3 e, depois disso, as fibras simpáticas deixam a medula e fazem um trajeto paralelo a ela, por meio do tronco simpático, passando perto do ouvido médio, e chegam ao olho. “Os sintomas são, basicamente, ptose da pálpebra (pálpebra superior caída), protrusão da terceira pálpebra, anisocoria e enoftalmo. Pode ocorrer, também, vasodilatação periférica uma vez que as fibras simpáticas causam vasoconstrição, a perda dessas fibras pode causar vasodilatação, então, esses animais, muitas vezes, têm hiperemia ocular local (olho vermelho) e isso está relacionado à síndrome e não a uma inflamação ocular”.


O diagnóstico da síndrome deve incluir exames físico, neurológico, oftalmológico, otoscópico, além de exames de imagem. É fundamental ter conhecimento anatômico de toda a via neuronal envolvida nos casos de SH para tentar determinar se a lesão é no neurônio de primeira, segunda ou de terceira ordem. “Outras alterações neurológicas concomitantes ajudam a localizar em qual parte da inervação simpática para o olho está situada a lesão. Os resultados da avaliação física e neurológica indicarão quais os outros testes diagnósticos úteis para definir o local e a causa”, conclui.

 

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